Em 1998, Zeider juntou seu gogó à guitarra de Fernandinho, ao baixo de Samambaia e "tiraram" algumas músicas de Bob Marley e afins para apresentarem na Feira da Vila Madalena. A iniciativa deu certo, o trio virou sexteto (com a adesão de Franja na guitarra solo, Cuio na bateria e Juliano na percussão) e em dois anos entravam em estúdio para gravar o debute, o EP "Que Brota da Terra".
A definição é a de reggae, mas o diferencial (já que todo grande artista reserva um) é o formato que decidiram empacotá-lo. Beberam da fonte e incluíram doses de artistas como Santana, Gilberto Gil e formataram o produto do ritmo jamaicano com apelo mais sentimental e letras que convidam a enxergar o lado ensolarado da vida, como também o cotidiano das grandes cidades.
O disco, independente, vendeu 15 mil cópias e os credenciou a tocar com ícones como Gregory Isaacs, The Wailers, The Culture, Natiruts, Tribo de Jah, entre outros.
O segundo disco, "Este é o Remédio", de 2002, foi o passo adiante - pularam de 15 para 80 mil cópias vendidas. Nesse ano o tecladista Osvaldinho se juntou a banda como musico convidado. E o terreno mais amplo foi conquistado com "De Cara Pro Mundo", de 2004: 165 mil cópias.
Com produção de Rick Bonadio e Rodrigo Castanho e uma média de 150 shows anuais, subiram ao palco para a gravação do CD e DVD "Planta & Raiz Ao Vivo", em 2005 onde contaram com as participações de Chorão, Evandro Mesquita e Rappin Hood. E o caminho natural nos traz até este "Qual é a Cara do Ladrão?", que os fãs têm nas prateleiras nesta reta final de 2007.
A tendência de multiplicação de espaço conquistado continua, e o som endossa a justificativa nos primeiros momentos do disco, na faixa homônima, com uma levada de bateria que acerta no peito, guitarra em wah-wah, baixo sustentando o peso e vocal a conduzir a melodia, numa letra forte falando da situação atual, da corrupção e das incertezas do nosso país. “ Qual é a cara do ladrão? quem é que vai saber “.
O CD foi gravado “quase” que ao vivo e a mixagem é primorosa - dá a impressão de todos instrumentos em primeiro plano, e consegue transmitir a sensação de presença no meio do estúdio, e a banda toda tocando em volta, apenas para você, qual um show particular. Faça a experiência com fone de ouvido.
Nessa experiência, você notará que a percussão ganha ares de frente do palco em "Eu Também Faço o Meu Jogo", onde eles perguntam: "O que é mais importante para você: a liberdade ou o poder?".
O ritmo Ska acelera em "Eu Nasci Pro Amor", e é impossível não balançar na cadeira (lembre-se que a experiência proposta é com fones de ouvido) em "Love is Free". A guitarra ganha leve distorção, e o refrão é uma delícia: "O amor está aí, mudando a você e a mim".
O reggae roots volta em "Role Consciente", que cheira anos 70.
Mas há uma reviravolta neste momento. "O Que Virou" tem sabor mais pop e adocicado, "Uma Flor Nos Seus Cabelos" tem ar de raggamuffin orgânico e "Olhar Pra Você" pisa nos anos 80, em um pop moldado naquela década tão esquisita em gostos quanto saborosa musicalmente.
Voltam á estrada do reggae raiz com "Segue a Vida" e "Esse é o Tamanho do Meu Coração", onde elogiam a existência: "Hoje eu vivo daquilo que sempre quis", canta Zeider.
O pop anos 80 toma a frente de novo em "Deus Está me Ensinando", onde a tentação é a tônica na letra: "Se o pecado mora ao lado/Não venha me tirar/Não vou cair no chão".
"Senhor Presidente" é tão delicada quanto contundente, onde a banda questiona aquilo que tem direito como cidadãos, e emenda na balada "Solto na Cidade".
O disco fecha com "Mais uma Mensagem", grand-finale que ganha energia no refrão. “Mais uma mensagem para um grande amor...“.
Musicalmente você pode notar a amadurecimento nesses 9 anos de carreira.
E a viagem do Planta & Raiz está apenas em sua quinta parada.
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